É uma audição com muito interesse, revelando um candidato – e agora já reitor – bem preparado, submetido a um intenso escrutínio de mais de três horas, de tal modo que não consegui ouvi-la por inteiro.
Do que ouvi, saliento a vontade firme de manter a Universidade do Minho como uma universidade completa, tarefa que não foi fácil, sendo de lembrar, nesse sentido, os esforços bem sucedidos, entre outros, dos reitores Lúcio Craveiro da Silva e Sérgio Machado dos Santos e respectivas e conceituadas equipas reitorais. Repare-se que das universidades novas criadas a partir de 1973, fora de Lisboa, apenas a do Minho se pode considerar completa no sentido de abranger os saberes universitários tidos como fundamentais. Da audição, saliento também a preocupação com a formação de cidadãos, pois não basta a formação académica para termos bons engenheiros, bons juízes, bons médicos, bons professores e tantos outros profissionais muito qualificados de diversas áreas que enriquecem um país.
Ao longo da longa audição foram abordados muitos assuntos e problemas da nossa universidade que não pude acompanhar por inteiro, nem teria espaço para mencionar aqui, mas realço alguns que, mesmo não sendo os principais, têm também interesse e ouvi. Embora a Universidade do Minho seja fisicamente bipolar ou mesmo multipolar, a atenção neste artigo está mais voltada para o pólo de Braga, que conheço melhor.
A Universidade do Minho tem um património edificado rico e extenso, muito dele construído nos últimos 50 anos, precisando de ser devidamente cuidado. Há edifícios de escolas e outros a precisar urgentemente de obras, pois estão há décadas sem a manutenção necessária. São trabalhos pouco vistosos, mas fundamentais. De entre o património mais antigo é de mencionar o edifício do Castelo, que pode e deve merecer a melhor atenção. É importante que a universidade esteja bem visível no centro da cidade, uma vez que o Campus de Gualtar fica afastado. O edifício do Castelo deveria ser um lugar onde, com boa periodicidade e planeamento, a Universidade do Minho organizaria cursos breves, seminários e tantas outras actividades nos mais diversos sectores científicos, dirigidas à academia e à sociedade, tendo como pano de fundo a formação de cidadãos.
Negação da cidadania continuam, porém, a ser as praxes humilhantes praticadas ao longo de todo o ano pela cidade, uma vez que foram impedidas – e bem – de se realizarem dentro do campus. Há aqui muito trabalho ainda a fazer, pois, mesmo feitas na cidade, são estudantes da Universidade do Minho que dão um triste retrato de si e da universidade e que frequentemente incomodam moradores quando feitas na imediação do Campus de Gualtar e de outros lugares. Uma intervenção da polícia municipal ou da PSP justifica-se plenamente, pois trata-se de cumprir, por exemplo, a lei e regulamentos municipais relativos ao ruído.
Um problema a resolver ainda é o dos transportes. Quem visita o Campus de Gualtar fica impressionado com a quantidade de "latas" (leia-se automóveis) às centenas, a preencher espaços alcatroados que bem poderiam ser utilizados para melhores fins, acrescendo ainda outras centenas abrigados em parques cobertos. É preciso pôr termo a isso, pois estes objectos empobrecem o Campus de Gualtar. Isso faz-se intensificando-se, nomeadamente, o transporte público. Com pequenos autocarros circulando continuadamente dentro do campus poderia dispensar-se tal espectáculo. Bastaria que houvesse bom planeamento e organização.
E ficam aqui por abordar assuntos do maior interesse como a burocracia excessiva que atormenta tudo e todos, os problemas do pessoal não docente, a progressão na carreira dos docentes e investigadores, os desafios da IA, a autonomia das escolas e tantos outros. Vale a pena ouvir a audição.
(Em Diário do Minho, 13/11/25)