Era o tempo das Unidades Científico-Pedagógicas que deram origem às diversas escolas actuais. A Universidade do Minho teve a sorte de juntar desde o seu começo professores de grande qualidade e visão universitária, não podendo esquecer-se, entre outros, o primeiro reitor, Carlos Lloyd Braga, o Professor Barbosa Romero, o Professor Lúcio Craveiro da Silva (o primeiro reitor eleito nas universidades portuguesas depois do 25 de Abril) e, de entre a geração nova, um conjunto de excelentes professores discípulos de Veiga Simão, de entre os quais saiu, eleito em boa hora, o Professor Sérgio Machado dos Santos, que desenvolveu notável actividade à frente da universidade durante mais de dez anos (1985-1998).
Foi o tempo em que se concretizou a ideia de que a Universidade do Minho deveria ser uma universidade completa, abrangendo os principais ramos do saber universitário e, assim, para além dos ramos da Engenharia, das Ciências e das Letras, surgiu o Direito (1993) e abriu-se caminho, nomeadamente, para a Arquitectura (1996) e para a Medicina (2000).
A Universidade do Minho tornou-se, de entre as universidades novas, a mais completa, com 12 escolas, e ombreia com a Universidade Nova de Lisboa em número de alunos (mais de 20.000) e de professores (mais de 1500).
Celebrou-se esta semana o 51.º aniversário da Universidade do Minho e a cerimónia comemorativa reflectiu bem a grandeza e sucesso desta instituição pela informação divulgada e pelas intervenções ocorridas. Quanto a estas, releve-se a intervenção do reitor (Rui Vieira de Castro), do presidente do Conselho Geral (Alberto Martins) e do Ministro da Educação (Fernando Alexandre), este, não por mero acaso, saído desta universidade.
Como é próprio de uma instituição que não vive sobre si, mas está atenta à região e ao mundo, a preocupação com a perigosa situação internacional actual e o valor, mas também a fragilidade, da democracia (e a necessidade de a defender intransigentemente) foram motivos de alerta.
Por outro lado, a nível mais interno, a autonomia universitária e, dentro desta, a sempre problemática autonomia financeira, a necessidade de cada vez maior internacionalização, bem como a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), que deve ser devidamente acompanhada, pelas novidades que apresenta, estiveram presentes numa sessão bem organizada, como é tradição, com o Salão Nobre do Largo do Paço cheio e transmissão online.
[1] O Professor João Baptista Machado foi um estudante-trabalhador. Trabalhou ali perto da AAUM na Fábrica Confiança na parte administrativa (correspondência, nomeadamente)
(Em Diário do Minho, 20/02/25 – texto revisto depois de publicado)