quinta-feira, 28 de novembro de 2024

A responsabilidade dos estudantes

A Universidade do Minho, através de alguns dos seus estudantes, esteve em destaque no Jornal de Notícias de 22/11/2024 por más razões. Em primeira página podia ler-se "Barulho e álcool a mais nos bares junto à UMinho". Em toda a página 12 e parte da página 13 titulava, com fotografias associadas, "Moradores queixam-se de barulho e álcool a mais nos bares junto à UMinho".

E na abertura do texto lia-se: "Álcool em excesso, acesso a drogas, barulho durante a noite e copos de plástico deixados na rua são algumas das queixas e preocupações que têm vindo a ser manifestadas por moradores da zona junto à Universidade do Minho, em Braga, onde funcionam vários bares que atraem centenas de pessoas, sobretudo na chamada quarta-feira académica e ao fim de semana. A população pede mais fiscalização e policiamento, assim como campanhas de sensibilização, algo que a Câmara quer fazer a partir de janeiro (ver caixa)".

É claro que isto não dignifica, desde logo, a Universidade do Minho. Não podemos nunca esquecer que os seus alunos são Universidade do Minho. A situação de "barulho e álcool a mais" que se repete todas as semanas, durante o ano lectivo, não pode ser tolerada e tem seguramente solução.

Uma solução que começa, como bem se diz, pela sensibilização, e esta consiste em lembrar a esses estudantes as regras de comportamento digno que devem ter, como cidadãos e como membros da Universidade do Minho, e que deve continuar, quando não produzir os efeitos devidos, por uma actuação firme que ponha termo a tais desmandos.

Os meios dessa actuação firme que só em último caso deve implicar a imposição da ordem pública pela Polícia de Segurança Pública, devem resultar de uma cooperação que envolva Reitoria da Universidade (sim, este é um assunto da universidade), a AAUM (Associação Académica da Universidade do Minho ), que também representa os estudantes envolvidos, a câmara municipal, a junta de freguesia, os representantes do comércio local, os representantes dos moradores (não existe uma comissão de moradores nos locais afectados?) e a própria PSP.

Esta cooperação não deve ser feita por meros contactos pessoais ou telefónicos ocasionais, mas em reuniões presenciais para se chegar a um acordo sobre a melhor forma de agir.

Torna-se claro que situações como a descrita não podem, nem devem, manter-se e que certamente haverá modo adequado de lhes pôr termo. Basta haver vontade firme de dignificar a universidade e a cidade. O pior que pode acontecer é baixar os braços e pensar que os estudantes são assim e que nada há a fazer. Não! Os estudantes não são assim e não pode um grupo deles manchar o bom nome que a academia deve ter.

(Em Diário do Minho, 28/11/24)