quinta-feira, 6 de março de 2025

Os estudantes e as eleições na Universidade

As eleições para o Conselho Geral e depois para Reitor são, na Universidade do Minho como em qualquer Universidade estadual,  um momento da maior importância. Trata-se de escolher quem bem a governe. E o que é governar bem uma Universidade? É fazer com que ela cumpra bem o seu dever.

E qual é o seu dever? A resposta parece fácil e pode ser a seguinte: formar bons médicos, bons juristas, bons cientistas, bons engenheiros, bons economistas,  bons arquitectos e bons profissionais noutros ramos do saber que ministra. Esta resposta é, no entanto e a meu ver,  errada.

O dever da Universidade é contribuir para formar cidadãos e cidadãs que sejam bons médicos, bons juristas, bons cientistas, bons engenheiros, bons economistas, bons arquitectos e bons profissionais noutros ramos do saber.

Parece que é a mesma coisa e não é. Faz toda a diferença. No primeiro caso poderemos ter profissionais excelentes que poderão ser  um desastre como pessoas. No segundo teremos bons profissionais que serão  pessoas, em princípio, bem formadas.

E como se faz essa formação? Faz-se desde o primeiro dia de entrada na Universidade.  Dar a conhecer a Universidade em que entram, a sua finalidade ( e aqui já entra a formação de cidadãs e cidadãos), a sua estrutura ( e assim as suas diversas unidades orgânicas) e os direitos e os deveres ( estão ambos ligados) dos estudantes  são o começo da formação destes.

De entre estes direitos e deveres encontra-se  o direito e o dever de participar nos  órgãos do seu Curso, da sua Escola e da Universidade em geral. Um ponto alto dessa participação, ainda que não se esgote nele - longe disso - é o direito e o dever de votar sempre que são chamados a tal.

Votar para quê? Para contribuir para um melhor curso, uma melhor escola, uma melhor Universidade. Ao contrário do que alguns podem julgar,  os alunos podem dar um bom contributo para isso.  Entretanto, com pena o dizemos, a enorme maioria dos estudantes da Universidade do Minho (e não só) não têm consciência desse direito/dever.

Vejamos o que se passou na muito importante eleição do Conselho Geral da Universidade do Minho em 2021. O número de estudantes inscritos nos cadernos eleitorais foi de 22.034 e destes votaram 3.150,  ou seja, 14,30%. Isto representa mais de 85% de abstenção. Esta percentagem vai manter-se ou aproximar-se  nas eleições que se realizam este mês?

Veremos. Se tal suceder deverá fazer-se, sem demora,  uma adequada reflexão para a qual a Universidade tem muitos meios.

(DM-6-3-25)