Falamos muito da autonomia das universidades públicas, mas esquecemos algumas coisas igualmente importantes. Desde logo que as universidades são, antes de mais, serviços públicos, ou seja, organizações do Estado que têm como finalidade a investigação e a docência a nível superior.
Poderia pensar-se que estamos aqui, sem mais, numa autonomia semelhante àquela que gozam as autarquias locais ou as ordens profissionais, mas não é assim. A autonomia das universidades não é a mesma, por exemplo, que a autonomia dos municípios. O que distingue não é tanto o exercício da autonomia (aqui há muitas semelhanças) como o fundamento. O que separa as duas formas de autonomia é a diferente qualidade que possuem os membros respectivos.
Já quanto às universidades, as pessoas que dela fazem parte, alunos, funcionários e docentes (a comunidade universitária), não são donas delas. São suas servidoras (no caso dos alunos, mais até utilizadores). As universidades públicas pertencem ao povo português que, através dos órgãos que os representam, as criou e mantém.
Mas não se pense que nesta matéria as universidades têm o direito de fazer o que bem lhes apetece. De nenhum modo. As universidades devem agir dentro de uma política de ensino superior cuidadosamente elaborada para o país e que conste de uma lei devidamente aprovada pela Assembleia da República, procurando atingir do melhor modo as metas nela definidas.
Esta matéria da responsabilidade das universidades perante o povo português, de uma forma séria e não demagógica, ainda não está devidamente regulada entre nós e deveria estar. Muitas coisas teriam de mudar, desde já, na organização e funcionamento das universidades…
Alguém quererá agarrar este assunto nas eleições que se avizinham?