O título pode parecer equívoco, mas não é. Está correcto. É de eleições parciais que se trata, pois as eleições gerais ocorreram há cerca de dois anos e por elas foram escolhidos 17 membros do Conselho Geral da Universidade do Minho (12 professores, 4 alunos e 1 funcionário). E são parciais porque o Conselho Geral (CG) é renovado totalmente de 4 em 4 anos e parcialmente de 2 em 2. A razão é simples. O mandato do CG é de quatro anos, mas os membros estudantes, dada a constante renovação deste importante corpo da academia, são eleitos apenas por dois anos, havendo a necessidade de fazer eleições parciais a meio do mandato do Conselho Geral. Fazemos aqui referência a elas, pois correm o risco de passar despercebidas e não devem. É importante numa academia, viva e ativa, saber o que pensam os estudantes e este é um momento adequado para o efeito. E o pensamento dos estudantes, que se reflecte depois na acção, nas decisões a tomar pelo CG, não interessa só aos estudantes, interessa a todos os que fazem parte da academia e mesmo aos que, não fazendo parte dela, se interessam pela vida da universidade.
As universidades são, importa não o esquecer, um importante serviço público suportado pelo dinheiro dos cidadãos. Quem pretender saber como decorrem estas eleições e inteirar-se das linhas orientadoras das listas concorrentes pode consultar aqui o endereço. Note-se que elas são públicas e transparentes, nada tendo de parciais neste sentido.
Concorrem a estas eleições duas listas e o método de eleição é o proporcional (utilizando-se o bem conhecido método d’Hondt). Até agora, apenas uma das listas concorrentes tem eleito representantes para o CG, o que significa que tem havido uma enorme diferença de votos entre as listas vencedoras (próximas da AAUM) e as restantes. Assim, por exemplo, nas eleições de 2011 concorreram para os quatro lugares dos estudantes no CG quatro listas. Os eleitores eram 17.768. Votaram 1.248 estudantes, o que significou uma abstenção de cerca de 93% (leram bem: 7% de votantes!). A lista vencedora (lista C) recolheu 881 votos. A lista A teve 181 votos, a lista D obteve 63 votos e a lista B, 38 votos. Aplicado o método de Hondt, a lista vencedora preencheu os quatro lugares, dada a enorme diferença de votos que a separou das restantes. Ocorrerá o mesmo desta vez? Esta é a grande interrogação destas eleições.
A outra interrogação, a participação dos estudantes, tem já uma resposta. A abstenção vai ser enorme e já causará admiração se descer significativamente, ou seja, se votarem 10% dos estudantes. Acresce que o tempo de campanha eleitoral decorreu em boa parte em tempo de férias e isso também não ajuda de nenhum modo.
(Em Diário do Minho)