É claro que acima do presidente de uma Escola está o reitor, mas muitos assuntos há que nem sequer chegam ao conhecimento dele e se o prejudicado se atreve a recorrer para o reitor bem pode suceder que este não queira entrar em conflito com os presidentes e remeta para estes a "melhor solução" da questão ou nada decida. Ao reitor não interessa entrar em disputas deste tipo (e os presidentes de Escola têm, aliás, poderes insuspeitados perante o próprio reitor, invocando, bem e mal, a sua legitimidade também democrática).
E será, porventura, boa atitude ignorar o poder da secretaria e de quem a chefia? Atente-se na quantidade de tarefas burocráticas – e, com elas, de prazos – que um docente tem de cumprir e agora veja-se o que pode resultar de uma má relação com este serviço.
E já noutro âmbito, fora das unidades de ensino e investigação, é preciso ter em conta, entre muitos outros, os presidentes de instituições de interface com a sociedade e os directores dos variados serviços da UM, também eles detentores de numerosos poderes na sua esfera de acção, tendo o exercício deles particular incidência sobre os funcionários, mas não só, pois os docentes também sentem bem os seus efeitos.
Nota: Esta breve incursão sobre os poderes dentro das universidades e os perigos que do uso deles podem resultar para os destinatários não tem outra finalidade senão a de chamar a atenção dos seus detentores para o uso que deles devem fazer. Sempre que está em jogo o exercício do poder todo o cuidado é necessário. Até porque está muito pouco espalhada a ideia de que o poder é, antes de mais, um serviço e não uma forma de domínio.