segunda-feira, 28 de março de 2016

A reitoria em trânsito

Noticia o Jornal de Notícias do dia de hoje (28 de Março de 2016) que está em curso a mudança, para o Campus de Gualtar da Universidade do Minho, dos serviços da reitoria.

Informa-se, ao mesmo tempo, que o Arquivo Distrital de Braga, actualmente alojado no Paço, passará para a Rua Abade da Loureira (junto ao mercado municipal e à estação rodoviária). Também será alterado (diminuído) o espaço da Biblioteca Pública Municipal (de estilo barroco). Tudo isto envolve um investimento que rondará os quatro milhões de euros. Sobre este assunto importa que haja uma informação clara e completa e, desde logo, acesso a projectos e textos justificativos, uma vez que uma intervenção desta importância interessa, não só à universidade, mas também à cidade.

quinta-feira, 17 de março de 2016

UM: a Democracia em movimento

Há dois tipos de consultas públicas: as desejadas e as toleradas. As desejadas são aquelas em que se quer mesmo ouvir a opinião das pessoas consultadas e não só se abre a consulta como se incentiva a participação e acolhe com toda a atenção os contributos recebidos.

As toleradas são aquelas que se fazem ou porque a lei obriga ou para evitar problemas desnecessários. Faz-se a consulta e depois fica tudo na mesma. O poder, mesmo o poder democrático, gosta mais destas últimas. Rejubila até, por vezes, quando nem sequer há participação.

Neste momento está a decorrer uma consulta pública na Universidade do Minho para revisão dos Estatutos por iniciativa do Conselho Geral. Não sabemos se este órgão deseja ou tolera esta consulta, pois embora o seu Presidente tenha apelado de forma muito clara à participação na intervenção que fez no dia da Universidade (17 de Fevereiro), o que é certo é que obtive informações de que as coisas não foram assim tão simples dentro do Conselho.
Disse que obtive informações e explico. Os membros da academia têm o direito e o dever de acompanhar os assuntos que estão na agenda e assim têm o direito e o dever, que exercem pouco, de interpelar os seus eleitos para saber o que se vai passando, particularmente em assuntos importantes como este da mudança de natureza jurídica da Universidade. Foi o que fiz para me informar.

Verdade seja dita que os membros do Conselho Geral também não têm sido muito diligentes na comunicação com a Academia, como deviam. Quem é eleito deve prestar regularmente contas perante os seus eleitores.

Uma nota que pode ainda ajudar a explicar esta falta de comunicação nos dois sentidos, que é a inexistência de uma publicação periódica na universidade, ao mesmo tempo isenta e completa na informação e plural na opinião. Se ela existisse não ocorreria esta falta de informação. Culpa de todos nós. Mas dada esta explicação e estando a decorrer o período de consulta pública até 18 de Abril, cabe aos consultados movimentarem-se, pois há temas que devem ser postos à consideração do Conselho. Se tal não suceder, falha outro pressuposto da democracia: a cidadania activa.

(Em Diário do Minho)

quinta-feira, 10 de março de 2016

UM: uma universidade, dois estatutos

Está a decorrer até 18 de Abril de 2016 a revisão dos Estatutos da Universidade do Minho, mas importa dizer que estes estatutos não são os únicos da universidade. Ela tem dois, como passamos a explicar. A Universidade do Minho vive, neste momento, uma fase de transição que a todos nós, dentro e fora da academia, deve merecer atenção, como universidade pública que é.

A Universidade do Minho era, até esta fase, um instituto público de regime especial que tinha apenas "estatutos" homologados pelo Governo (em Novembro de 2008), que estão a ser revistos.

A Universidade do Minho agora é uma fundação pública de direito privado aprovada pelo Decreto-Lei n.º 4/2016 de 13 de Janeiro e tem dois estatutos. Tem o estatuto da fundação Universidade do Minho e o estatuto do estabelecimento de ensino (e de investigação) Universidade do Minho. O estatuto da fundação vem publicado em anexo ao Decreto-Lei acima referido e depois de dizer no seu artigo 1.º que a Universidade do Minho é uma instituição de ensino superior pública de natureza fundacional afirma no seu artigo 7.º que "são órgãos da Universidade: a) O Conselho de Curadores; b) O fiscal único; e os órgãos previstos na lei e especificados nos Estatuto do estabelecimento de ensino". 

O estatuto do estabelecimento que está em revisão (e nesta parte não vai ser seguramente alterado) diz, no seu artigo 26.,º relativo aos órgãos da universidade, que "o governo da Universidade é exercido pelos seguintes órgãos: a) Conselho Geral; b) Reitor; c) e Conselho de Gestão.

Esta diversidade de órgãos da universidade (e ainda há outros, nomeadamente de consulta) que vão estar em constante relação obriga a uma pergunta: mas quem vai mandar na Universidade do Minho, afinal? Se lermos ambos os estatutos ficamos convencidos de que a última palavra nos mais importantes assuntos pertence ao conselho de curadores, um órgão composto por 5 personalidades de elevado mérito nomeados pelo Governo da República, sob proposta do conselho geral; continuando a ler, ficamos convencidos de que, a seguir ao Conselho de Curadores, o órgão mais importante é o Conselho Geral (CG), constituído por 12 professores e investigadores, 4 estudantes, 1 funcionário, eleitos pelos seus pares, e 6 elementos externos cooptados por aqueles membros eleitos do CG; e que, no final dos órgãos mais relevantes, vem o reitor que, tendo embora os importantes poderes de propor e executar, não tem o poder de decidir.

Mas será assim? Isto vai funcionar deste modo? Tenho dúvidas e gostava ainda de as expor se estes 30 dias não passarem a correr como já estão a passar. Para já uma nota apenas: parece-nos que em tempos de "simplex" se introduziu na Universidade do Minho "complex". Mas já ficaremos satisfeitos, neste momento, se os leitores tiverem a curiosidade de consultar os documentos acima referidos na página oficial da UM e formarem uma opinião. Eles estão à disposição de todos.

P.S.: A sessão sobre educação que decorreu, com enorme participação, no âmbito de "A Nova Ágora", no Parque de Exposições de Braga, no passado dia 4 de Março, teve muito interesse e choca muito não haver sobre esta matéria um amplo consenso nacional, desde logo a nível partidário.

P.P.S: Será possível não vermos que a situação dos refugiados que batem às portas da Europa é à nossa porta que batem? E que eles são, na verdade, não um problema, mas a solução, como bem foi dito na mesma sessão?

(Em Diário do Minho)

quinta-feira, 3 de março de 2016

A AEDUM e Salgado Zenha

Não foi notícia na comunicação social, mas o amplo auditório nobre da Escola de Direito acolheu na passada segunda-feira, dia 29 de Fevereiro, o acto de tomada de posse dos corpos gerentes da Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho (AEDUM), depois de umas eleições muito participadas.

É muito pouco comum na nossa academia ver cerca de 500 estudantes de uma Escola com pouco mais de 1.000 alunos a frequentarem regularmente o campus, votar num acto eleitoral disputado entre duas listas que demonstraram assim capacidade de mobilizar. Dispensavam-se alguns episódios eleitorais que ficam particularmente mal numa Escola de Direito, bem como a ausência de debate directo entre as listas, mas a vontade dos estudantes pôde mesmo assim manifestar-se de forma muito clara.

A tomada de posse foi também muito participada, enchendo praticamente o amplo auditório nobre da Escola. Para além de estudantes, estiveram presentes vários professores, funcionários e, como sempre, quando convidado, o presidente da Associação Jurídica de Braga, Dr. Óscar Ferreira Gomes.

João Ferreira preside à equipa da direcção e no acto de posse teve palavras que prometem uma actividade profícua da associação. É uma pena que os mandatos sejam apenas de um ano, pois é tempo demasiado curto para pôr em prática um programa de acção. Repare-se que o mandato dos estudantes no Conselho Geral é  e bem  de dois anos.

Do acto de posse ficou também memória da passagem de testemunho da presidente cessante Valérie Pinto, da intervenção bem pensada de Joana Peixoto, presidente da ELSA UMinho e das palavras da presidente da Escola de Direito, Prof.ª Clara Calheiros, saudando os estudantes eleitos e incentivando-os abertamente a serem reivindicativos.

Salgado Zenha, o bracarense e ilustre jurista que tem a sua rica biblioteca na Escola de Direito e que foi, para além de brilhante aluno, um notável dirigente associativo (presidente da Direcção da Associação Académica de Coimbra por eleição dos pares num tempo em que a democracia estava proibida), apreciaria seguramente este acto de posse. Salgado Zenha deve servir de inspiração aos novos eleitos.

Desejamos um bom mandato a todos estes estudantes e que os 20 anos da AEDUM, que agora ocorrem, assinalem uma nova e boa etapa na vida da associação.

(Em Diário do Minho)