segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
A universidade é um serviço público
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
UM: O Conselho Geral e a academia estão afastados?
As reuniões do Conselho Geral não costumam ser públicas, mas consta do regimento deste órgão fazer, pelo menos, uma sessão aberta por ano para possibilitar a participação da academia. A primeira nota a registar é a de que a academia não participou. Estava presente apenas cerca de uma dezena de pessoas e se não era de esperar uma presença muito elevada seria razoável ver no auditório, que comporta mais de uma centena de pessoas, pelo menos várias dezenas. A participação de 50 ou 60 pessoas entre alunos, funcionários e professores faria toda a diferença. Seria, aliás, uma boa ocasião para que os estudantes se integrassem na vida da universidade até porque, nesta reunião, se apreciava matéria que lhes dizia directamente respeito. Em vez disso, cá fora, estudantes gritavam bem alto, nos habituais e praticamente diários rituais de praxe.
Esta ausência de participação deveria, a nosso ver, ser motivo de reflexão por parte do Conselho Geral e por parte da academia. Não sabemos se o Conselho Geral vai fazer uma apreciação do que sucedeu. Se não vai, devia. Pode haver aqui um problema de comunicação deste órgão. Ele devia, a nosso ver, aproximar-se mais da academia que o elegeu e há várias formas de o fazer, bastando pensar um pouco. Uma seria, desde logo, reservar um período na parte inicial ou final (preferíamos a inicial, por causa da hora incerta do encerramento) para a intervenção do público, colocando questões ou fazendo sugestões. Sabemos que há quem não goste de um tal período, temendo nomeadamente que se façam perguntas despropositadas ou muito incómodas. Julgo que é um risco menor que se deve correr e há formas de o organizar adequadamente. O que seria mau é que o Conselho Geral tirasse a seguinte conclusão: a academia não participou? Pior para ela! Acabemos com as reuniões abertas! Por sua vez, a academia deve igualmente ponderar. O que se passa? Ela não tem sido capaz de gerar reflexão interna. Temos dois jornais regulares, mas nenhum deles cumpre a função de debater livremente e com elevação os problemas da academia. São aquilo que se pode chamar jornais "oficiais". E temos uma comunidade com cerca de 20.000 membros que está cheia de problemas da mais variada ordem (desde os de gestão corrente aos estratégicos) que mereciam debate e chamadas de atenção, nomeadamente ao reitor, dado o papel que desempenha. A ausência de debate não nos eleva. Diminui-nos.
Uma nota final para dizer (a extensão destes textos tem limites redactoriais) que nesta sessão, que só foi aberta ao público da parte de manhã, se debateram, principalmente, o relatório do provedor do estudante e o consórcio das universidades do Norte (Minho, Porto e UTAD). Encerrou por volta das 14h. Os trabalhos foram retomados às 15h e prosseguiram até ao fim da tarde. Foi publicada uma lacónica nota informativa. Deve dizer-se que os membros deste órgão trabalham a sério e deveriam ter (e não têm) um estatuto adequado à importante missão que desempenham como membros do órgão máximo da universidade. Um bom tema para debate, se o tivéssemos!
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Autarquias locais e universidades
As autarquias locais vivem neste mês e no de Dezembro um período importante que é o da aprovação do plano de actividades e do orçamento. O mesmo sucede com as universidades. Seguiremos as notícias a eles respeitantes na medida do possível. Deve ser objecto também de particular atenção o que está a suceder com as comunidades intermunicipais, as denominadas CIM, essas figuras atípicas que vieram, de certa formac substituir os distritos (em alguns casos têm o mesmo território e a mesma população, como sucede com a CIM do Alto Minho) e que vão lidar, ao que parece, com muito dinheiro vindo da Europa. Quanto às universidades e observando principalmente a do Minho, veremos o que sucederá com essa figura também atípica que é o consórcio Universidade do Norte, abrangendo as universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a do Porto e a do Minho. O consórcio promete muito, veremos o que realiza.
(Em Diário do Minho)
domingo, 16 de novembro de 2014
Universidade da Região do Norte (Consórcio)
Vejo com muito interesse este passo dado pelas três universidades e agora são muito elevadas as expectativas criadas e em boa parte elencadas pelo JN. Espera-se que haja, entre muitas outras coisas, uma efectiva mobilidade, não só de alunos, como de docentes, bem como uma concertação bem pensada da oferta de cursos. Há tantas coisas que podem (e devem) ser feitas no âmbito deste projecto!
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Contra certos arquitectos!
A um arquitecto peço que saiba aliar funcionalidade e estética. Se a obra cumpre bem a função para que foi feita (habitação, escola, hospital, estádio, piscina e tantas coisas mais), tudo bem. O arquitecto que a pensou tem, para mim, logo apreciação positiva e tanto maior quanto melhor for a funcionalidade conseguida. Problema existe quando os arquitectos resolvem pôr a estética em primeiro plano, prejudicando a funcionalidade. Não os suporto! Podem ter prémios, podem ter reconhecimento internacional. Até os posso felicitar, com um pouco de boa vontade. O que não quero é viver, trabalhar ou frequentar tais edifícios.
Temos não só o direito, mas o dever, de chamar a atenção para o estado dos bens públicos porque são riqueza que nos pertence, tendo o dever de cuidar dela, e porque, por outro lado, quando se degradam acabamos por ser nós que pagamos a sua reparação com os nossos impostos. Mas como sempre, mais vale prevenir do que remediar. Fujamos dos arquitectos que trabalham para as revistas e para os prémios à custa da serventia das obras que projectam. Precisei de tempo para aprender esta lição.
(Em Diário do Minho)
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Mais regularidade
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Demissão da pró-reitora Felisbela Lopes
"A Professora Felisbela Carvalho Lopes cessa, a partir de hoje, a seu pedido, funções como pró-reitora para a comunicação da Universidade do Minho. Neste momento, quero reconhecer e agradecer publicamente o excelente trabalho realizado pela Prof.ª Felisbela Lopes no desempenho destas funções, nomeadamente na estruturação de um Gabinete de Comunicação e Imagem adequado ao actuais desafios da Universidade, bem como na concretização de uma estratégia de comunicação que se traduziu num notável acréscimo da visibilidade da Universidade."
A pergunta coloca-se naturalmente: quais as razões desta demissão? Repare-se que nem sequer são invocadas razões pessoais. Que se passa ou passou?
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Praxe e falta de informação
O Ministério da Educação e Ciência lançou ontem – e muito bem – uma campanha nacional contra a violência física e psicológica na praxe académica que inclui a disponibilização de um endereço electrónico para denunciar abusos.
Deve dizer-se antes de mais que, por muita distinção que se queira fazer entre a praxe boa e a praxe má, a violência física e psicológica faz parte da praxe que se pratica nas instituições de ensino superior e na Universidade do Minho em particular (falo desta por conhecimento pessoal de muitos anos). A praxe ideal feita somente de brincadeiras de bom ou mau gosto não existe.
Na praxe que vemos por aí não são só os novos alunos que são humilhados, são todos os que fazem parte dessa instituição e daí o dever de todos (professores, funcionários e alunos) de impedir que tal aconteça.
Saiu há dias um relatório interno da Universidade do Minho que concluiu, ao que parece, pois não tive ainda a oportunidade de o ler na página da universidade, que a responsabilidade pela queda do muro foi dos próprios estudantes.
Seguramente que esta não é uma resposta satisfatória e que estão a decorrer outras diligências ou o relatório diz algo mais. Na verdade, que o acidente ocorreu entre estudantes da Universidade do Minho, é certo. Mas houve certamente alguns em concreto que foram responsáveis pelo acidente. Dizer que foram os "estudantes" não é nada. Há que averiguar ao pormenor o que se passou, o contexto daquela tragédia e, entre outras coisas, porque estava ali um muro que, segundo se diz, não só não tinha as mínimas condições de segurança, como já não cumpria qualquer função.
III – O Caso do Professor de Psicologia
No dia 23 de Janeiro deste ano de 2014, salvo erro, um professor de Psicologia da Universidade do Minho, no cumprimento do seu dever de cuidar da dignidade da instituição de que faz parte, foi humilhado em pleno dia e em local central e muito frequentado do Campus de Gualtar da UM por estudantes ("doutores"). Como se escreveu e largamente divulgou na altura, o professor foi "praxado".
(Em Diário do Minho, 10/09/14)
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Actualizar informações e opinião
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Diálogo com João Rosas sobre as universidades
Devemos dizer que se acompanhamos João Rosas no que respeita aos resultados do novo sistema de governo, pelo menos aos resultados em certas universidades, não o acompanhamos na crítica ao sistema de governo em si. Este assenta fundamentalmente num órgão deliberativo colegial, a que a lei dá muito poder, denominado Conselho Geral (CG) e num órgão executivo individual, o reitor (RT). O órgão colegial é constituído na sua maioria (mais de 50%) por professores (12 na Universidade do Minho), por alunos, que não podem ser muito mais de 15% (4 na UM) e por funcionários – e aqui a lei é, a meu ver, demasiado restritiva, pois a sua presença no órgão é facultativa e não pode ir, feitas as contas, além de 2 (1 na UM). Todos estes membros do CG são eleitos pelos seus pares pelo método proporcional. Por sua vez, estes 17 membros cooptam 6 membros externos (cerca de 30% nos termos da lei) de entre personalidades de reconhecido mérito. O carácter democrático deste órgão não pode ser posto em causa e mesmo a presença de membros externos não deve ser vista negativamente, pois, por um lado, são escolhidos pelos membros eleitos e, por outro, podem, se bem escolhidos, abrir a instituição ao exterior e tornar menos corporativo o governo da mesma.
Mas então, porque pode resultar mal este sistema de governo? É bem simples, a meu ver. Basta que o CG, no seu todo, não cumpra as suas funções, remetendo-se a uma atitude apagada e reverencial perante o reitor. É preciso lembrar que uma coisa é o que está na lei, outras vezes, o que se pratica. O RT (e a sua equipa de governo, que ele nomeia livremente) exerce funções a tempo inteiro e tem uma remuneração própria. Está a par dos acontecimentos, tem funcionários sob as suas ordens directas e tem nas suas mãos, em boa parte, o futuro dos docentes e funcionários através da abertura ou não de concursos e do modo como os conduz.
(Em Diário do Minho)
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Renúncia de membro do Conselho Geral do Professor José Cadima Ribeiro
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Eleições na Universidade do Minho – Senado
No que toca às universidades, a democracia não está, entre nós, felizmente – em regra – partidarizada, ao contrário do que sucede, por exemplo, na vizinha Espanha.
Ainda nesta segunda-feira, dia 26 de Maio de 2014, ocorreram eleições na Universidade do Minho. Foram eleitos representantes dos professores, dos funcionários e dos alunos para o senado académico. O senado académico não é um órgão tão importante como o Conselho Geral, pois enquanto este tem, desde logo, o poder de eleger e destituir, nos termos legais, o reitor e também o de tomar as decisões mais importantes para a vida da universidade, o senado é apenas um órgão consultivo do Conselho Geral e do reitor.
Acresce que o Senado é um órgão que é composto na sua esmagadora maioria por membros por inerência, sendo muito poucos os eleitos directamente, o que menoriza também este órgão. Os professores elegem três membros, os estudantes outros três e os funcionários dois.
Analisando rapidamente os resultados, verificamos que dos 914 professores inscritos nos cadernos eleitorais votaram 386, tendo a lista B, "Mais Universidade, Mais Futuro", recebido 170 votos; a lista A, "Universidade Cidadã", 96; e a lista C, "Novos Desafios, Novos Rumos", 76. A lista B obteve dois mandatos e a lista A um, por aplicação do método proporcional. A lista C ficou a 9 votos de um mandato. A percentagem de votantes foi de 42%. Para saber o que pensam estes movimentos basta procurar e ler os respectivos sítios ou blogues, procurando no Google.
Quanto aos estudantes, dos 17.874 inscritos votaram 364, tendo a lista A recebido 253 votos e a lista B, 84 votos. Os três mandatos, igualmente por aplicação do método proporcional, couberam todos à lista A. Apenas por um voto, a lista B não obteve um mandato. A percentagem de votantes foi de 2% (dois por cento).
Finalmente, a dificuldade de acesso a estes dados, que deveriam estar colocados detalhadamente na primeira página da UM, dá-nos uma ideia de como circula a informação na universidade.
(Em Diário do Minho, 28/05/14 – texto revisto depois de publicado)quarta-feira, 7 de maio de 2014
Candidaturas ao senado da Universidade do Minho
Um dos princípios básicos de quaisquer eleições democráticas é a publicidade. A publicidade deve ser entendida em sentido amplo, abrangendo o período de preparação das listas, o da apresentação destas e a campanha eleitoral. Mal das eleições em que o voto não resulta de um debate aberto, a começar logo na formação das listas. De qualquer modo, estou em condições de informar pelo menos alguns nomes, aqueles que me chegaram, respeitando uma ordem cronológica e tendo pena de não poder ser mais completo. Quanto aos professores, o movimento "Universidade Cidadã" apresenta os seguintes candidatos para os três primeiros lugares: Maria José Casa-Nova, Professora do Instituto de Educação; Fernando Miranda, Professor da Escola de Ciências; e Isabel Mateus, Professora do Instituto de Letras e Ciências Humanas. O movimento "Novos Desafios, Novos Rumos", por sua vez, apresenta: Maria Clara Oliveira, Professora do Instituto de Educação; Luís Filipe B. Ribeiro, Professor da Escola de Engenharia; Paula Cristina Remoaldo, Professora do Instituto de Ciências Sociais.
A informação eleitoral costuma circular mal na Universidade do Minho, com responsabilidade, desde logo mas não só, das próprias listas, que não se preocupam em dar a devida publicidade ao acto de apresentação.
As eleições vão decorrer a 26 de Maio de 2014. Vão ser eleitos 3 professores, 3 alunos e 2 funcionários. São poucos, é verdade, mas serão os únicos com uma legitimidade directa conferida pelos pares, o que lhes dá um estatuto de especial relevo. Estas três semanas que nos separam do dia de eleições vão passar certamente despercebidas e por isso não é de estranhar que a participação eleitoral seja extremamente baixa. Também isso deveria ser objecto de reflexão, mas duvido muito que tal suceda. Para já, será interessante acompanhar o resto deste período eleitoral e depois fazer o balanço.
(Em Diário do Minho)
domingo, 27 de abril de 2014
Apurar responsabilidades!
Um sinal para todas as academias do país
Já não admiraria nestes tempos que vivemos uma atitude contrária. Esta deliberação da AAUM não a dignifica só a ela. É toda a Universidade do Minho que dá um sinal de humanidade para todas as academias do país.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
De luto!
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Eleições para o senado da Universidade do Minho
O senado é um órgão meramente consultivo que, nos termos dos estatutos da UM, "assegura a coesão da Universidade na prossecução da sua missão, cumprindo funções de coordenação, prospectiva e planeamento em matérias pedagógicas e científicas" (…).
Estas eleições não costumam ter história no que respeita à eleição dos estudantes. Há uma espécie de lista oficial que ganha com larga vantagem todas as eleições que se fazem no corpo estudantil. Mas não é assim no que toca aos professores. Aqui as coisas são diferentes e sente-se que os professores da UM não têm pensamento único. Aliás, a importância destas eleições está praticamente nisso mesmo. Na oportunidade que elas oferecem de verificar a opinião dos professores quanto à situação da universidade.
Dir-se-á que estas eleições ainda estão distantes. Não é verdade, basta pensar no trabalho que é elaborar uma lista e recolher as assinaturas dos subscritores para ver que a data de apresentação de listas (28 e 29 de Abril) está aí à porta, metendo-se ainda o período da Páscoa pelo meio.
(Em Diário do Minho, 09/04/14)