Está a decorrer, desde 16 de Abril de 2019, o procedimento de eleição para os representantes dos estudantes, no conselho geral da universidade. A eleição realiza-se a 5 de Junho, mas andará muito desatento quem pense que ainda há muito tempo para decidir estas eleições. A primeira grande decisão é a apresentação de candidatos (de bons candidatos) e ela tem de ser feita até ao dia 3 de Maio, ou seja, dentro de uma semana.
Se for como de costume, os estudantes estarão, na sua esmagadora maioria, a leste destas eleições e os candidatos serão escolhidos por um pequeníssimo número deles e quando chegar o dia da votação, pouco terão por onde escolher. A prática democrática tarda a chegar às universidades, mesmo quando o governo delas é regido por normas democráticas.
Na verdade, o governo das universidades assenta no conselho geral, que é uma espécie de assembleia municipal, contendo importantes poderes, e na reitoria, que é uma espécie de câmara municipal, onde pontifica o reitor, que tem o poder de escolher a sua equipa de vice-reitores e pró-reitores (concentrando, assim, mais poder do que o presidente da câmara).
É verdade que as universidades–fundação, como é o caso da Universidade do Minho, têm ainda outro órgão que é o conselho de curadores, mas a importância prática deste órgão ainda está por verificar.
O conselho geral das universidades, que tem um poder maior do que a assembleia municipal, que é o de eleger o reitor, é composto, na Universidade do Minho, por 23 membros. Destes, 12 são eleitos por professores e investigadores, 4 pelos estudantes, 1 pelos funcionários e estes 17 cooptam 6 elementos externos (personalidades de reconhecido mérito).
O mandato destes membros do conselho geral é de quatro anos, excepto o mandato dos estudantes, que é apenas de dois anos, o que se explica pela mobilidade deste corpo da academia. É por essa razão que, durante o mandato do conselho geral, existe uma eleição intercalar, renovando o corpo de estudantes. O papel do corpo discente é, muitas vezes, decisivo nas deliberações a tomar e no sentido a dar à universidade a que pertencem. Daí a importância destas eleições e a necessidade de que estejam devidamente preparados para assumir as suas responsabilidades.
O relevo que será dado a estas eleições, ou a falta dele, nomeadamente na comunicação social, será um bom indicador da vitalidade da academia.
(Em Diário do Minho, 24/04/19)