O Ministério da Educação e Ciência lançou ontem – e muito bem – uma campanha nacional contra a violência física e psicológica na praxe académica que inclui a disponibilização de um endereço electrónico para denunciar abusos.
Deve dizer-se antes de mais que, por muita distinção que se queira fazer entre a praxe boa e a praxe má, a violência física e psicológica faz parte da praxe que se pratica nas instituições de ensino superior e na Universidade do Minho em particular (falo desta por conhecimento pessoal de muitos anos). A praxe ideal feita somente de brincadeiras de bom ou mau gosto não existe.
Na praxe que vemos por aí não são só os novos alunos que são humilhados, são todos os que fazem parte dessa instituição e daí o dever de todos (professores, funcionários e alunos) de impedir que tal aconteça.
Saiu há dias um relatório interno da Universidade do Minho que concluiu, ao que parece, pois não tive ainda a oportunidade de o ler na página da universidade, que a responsabilidade pela queda do muro foi dos próprios estudantes.
Seguramente que esta não é uma resposta satisfatória e que estão a decorrer outras diligências ou o relatório diz algo mais. Na verdade, que o acidente ocorreu entre estudantes da Universidade do Minho, é certo. Mas houve certamente alguns em concreto que foram responsáveis pelo acidente. Dizer que foram os "estudantes" não é nada. Há que averiguar ao pormenor o que se passou, o contexto daquela tragédia e, entre outras coisas, porque estava ali um muro que, segundo se diz, não só não tinha as mínimas condições de segurança, como já não cumpria qualquer função.
III – O Caso do Professor de Psicologia
No dia 23 de Janeiro deste ano de 2014, salvo erro, um professor de Psicologia da Universidade do Minho, no cumprimento do seu dever de cuidar da dignidade da instituição de que faz parte, foi humilhado em pleno dia e em local central e muito frequentado do Campus de Gualtar da UM por estudantes ("doutores"). Como se escreveu e largamente divulgou na altura, o professor foi "praxado".
(Em Diário do Minho, 10/09/14)