Vejamos o que sucederá se o golpe resultar (e, nesta altura, vale tudo…). A Universidade do Minho, que tem actualmente um conselho geral eleito pelos professores (12 membros), estudantes (4 membros) e funcionários (1), a que se juntam personalidades externas (6) cooptadas pelos membros eleitos, e que tem um reitor que é eleito por todo o conselho geral, passará a ter mais 5 membros nomeados. Vejamos como.
Com todo o respeito pessoal que eles certamente merecerão, importa ter em atenção o seguinte: ou vêm trabalhar a sério e então terão de entregar-se por inteiro à administração da Fundação Universidade do Minho, o que implicará avultadas despesas, pois ninguém está a ver essas personalidades de elevado mérito a trabalhar gratuitamente, ou serão meros "verbos de encher" que dão o nome para dar "prestígio" à universidade, mas, quanto a trabalho duro, pouco ou nenhum, o que aliás bem se compreenderá.
Há algo aqui que não bate certo. Quem anda a par destas coisas sabe que não é a transformação em fundação que faz correr os actuais responsáveis da universidade. É o financiamento e a privatização. É a promessa que o Governo faz, por um lado, de lhes dar mais dinheiro e, por outro, de permitir uma flexibilização (leia-se uma maior discricionariedade) da gestão do pessoal (docente e não docente) e dos dinheiros. Esta não é uma decisão que se tome assim, antes de eleições, em "sprint final", mais parecendo uma dádiva de um governo que (pasme-se!) no início se manifestou contra a transformação das universidades em fundações, preferindo um regime de autonomia reforçada, e que, ao mesmo tempo, não cumpriu o contrato que fez com as três universidades (Porto, Aveiro e ISCTE) que foram no engodo da fundação e assim esperaram (em vão) a entrada de centenas de milhões de euros.
(Em Diário do Minho)