Introdução
A campanha para as eleições do Conselho Geral (CG) da UM entram na sua semana mais alta. A próxima é já para votar (dia 13). Os eleitores têm o direito (e o dever) de saber o que pensam os candidatos às eleições para orientarem o seu voto. Há aqui uma relação de representação, nos termos da qual os candidatos a representantes (eleitos) devem dar a conhecer aos eleitores o que vão fazer com o voto confiado e o mandato.
As respostas serão divulgadas neste mesmo lugar na próxima semana ou, logo que recebidas, sempre distintamente, lista a lista.
Perguntas
1. Umas das tarefas mais importantes do CG a sair das eleições do dia 13 de Março de 2013 será a da escolha do reitor.
a) Qual o perfil que a lista B considera necessário que deve possuir o futuro reitor da UM?
A Lista B mantém uma posição bastante similar à que assumiu em 2009. Assim, entendemos que nesta fase das eleições para o CG não se pode, nem deve, avançar com nomes para reitor antes de completar o Conselho Geral com a cooptação de elementos externos. O que importa é definir o que deve ser o novo reitor da UM. Entendemos que deve ser uma pessoa com visão estratégica do futuro da universidade, mais preocupada em incentivar as unidades orgânicas (escolas, centros de investigação e outras) e em conceder-lhes os meios possíveis para atingir objetivos devidamente integrados numa política da UM do que em controlá-las, sujeitando-as às ordens da reitoria. Além disso, deve ser uma personalidade que consiga promover consensos em torno dos objectivos e não seja intransigente em relação à sua própria estratégia, de forma a evitar alguns deslizes em termos de alcance de desenvolvimento interno da UM e das suas UOEI e em relação às negociações e captação de interesse e solidariedade por parte de entidades externas e da tutela para com os objectivos preconizados para a UM. Face a esta proposta de perfil, entendemos que o actual reitor possui diversas fragilidades e que o seu percurso de governo dos últimos anos demonstrou que não se enquadra no framework apontado. Claro que nesta fase ainda é prematuro assumir uma posição intransigente, pois não se conhece quais as candidaturas que vão surgir e quais os respectivos programas e equipes de vice e pró-reitores.
2. Ainda que a escolha da equipa reitoral seja tarefa do reitor, o Conselho Geral tem o direito e o dever de apreciar o trabalho por ela desenvolvido.
b) Que características gostaria de ver na próxima equipa reitoral (tamanho, divisão de tarefas, etc.)?
3. Que avaliação faz a lista B do trabalho do CG cessante:
a) Em termos gerais?
b) Quais os aspectos mais positivos?
c) Quais os aspectos mais negativos?
Do ponto de vista pessoal, eu faço uma análise de quem esteve de fora, contrariamente aos outros cabeças de lista, que fizeram parte do órgão. A minha visão é que o CG tem um distanciamento perante a comunidade e acaba por não haver por parte da academia e da sociedade envolvente à UM uma percepção do que é feito no CG, há uma percepção mais directa e notória perante aquilo que é feito pelo reitor. Relativamente à capacidade de intervenção de quem está no CG, e os professores e investigadores que estão no CG também estão no dia-a-dia nas suas unidades orgânicas, estes primeiro quatro anos, com um modelo ainda adaptativo, permitiram consolidar diversos mecanismos de funcionamento e integrar no CG um conjunto de estruturas e de iniciativas próprias do CG, ou seja, criar grupos de trabalho, e isso repercutiu-se na capacidade de análise efectiva do órgão. Estes são aspectos bastante positivos. A parte menos positiva tem um pouco a ver com a questão do alinhamento notório que existiu entre uma maioria de membros do CG, que elegeram o reitor, e a própria linha estratégica do reitor, o que cria uma zona de conforto ao reitor e que torna mais difícil ter uma visão crítica efectiva e mais adaptativa à mudança e a reajustamentos rápidos face a novos quadros político-institucionais. Acaba por ser essa uma das fragilidades do actual modelo instituído. À partida, quem elegeu o reitor elegeu um conjunto de propostas e dificilmente se demarca, mesmo que, por vezes, possa ter uma análise crítica efectiva. Uma análise crítica apresentada por um dos candidatos da Lista B, Professor Cadima Ribeiro, que participou por dentro no CG, pode ser lida neste link (Conselho Geral da UMinho: um breve balanço de 4 anos de mandato, de 15 de janeiro de 2013)
a) Como avalia a lista B a prestação dos membros externos no CG cessante?
b) Que qualidades devem ter os elementos externos a cooptar?
A influência que os eleitos por uma das listas teve sobre a escolha da grande maioria dos cooptados foi notória e o alinhamento desses membros cooptados foi singular face à relação com o reitor e menos com o CG, propriamente dito. Atendendo à experiência destes últimos 4 anos será de esperar que o próximo conjunto de membros cooptados consiga apreender de forma mais efectiva o seu papel e que as propostas que sejam feitas para a identificação desses membros resultem da aprendizagem proporcionada anteriormente. Quanto à principal qualidade, diria que devem ser personalidades que se possam constituir como "antenas" dentro da UM para os problemas que se passam fora da UM, por um lado, e que consigam ser "mensageiros" para a sociedade do que de melhor a UM consegue oferecer, por outro lado.
a) Considera a lista B importante manter informados os eleitores do que vão fazendo, debatendo e deliberando os membros do CG?
c) Qual o âmbito dessa reserva?
d) Como vão informar os eleitores? Irão responder pessoalmente às questões ou perguntas que lhe forem endereçadas no âmbito das suas competências?
Um dos principais pilares de suporte à candidatura da Lista B é a transparência e a importância de relacionamento entre a academia e o CG e o mesmo em sentido inverso. Assim, a agenda do CG deve emanar dos problemas efectivos da academia e em prol da sua resolução. Só assim a academia se manterá alerta para o que se passa no CG. Claro que essa agenda deve estar suportada em problemas de curto, médio e longo prazo. É natural que para a academia os problemas de curto prazo sejam aqueles que suscitem mais atenção. Nesse caso, o CG deve saber lidar com esta diferença e com a forma de comunicação. No que se refere à reserva que possa ser suscitada para alguns temas e decisões, diria que todas as organizações devem desenvolver o seu modelo de governo de forma adequada, pelo que em algumas circunstâncias e pelo tempo que decorra entre a análise, discussão e decisões se poderá admitir alguma reserva para alguns assuntos estratégicos e de posicionamento face à competição que existe no universo em que a UM se movimenta. No entanto, logo que as decisões sejam tomadas, e para que as mesmas sejam apreendidas e assimiladas pela comunidade académica e sociedade envolvente, é fundamental que passem ao domínio público na prossecução da agenda do CG e não do reitor.
a) Em caso afirmativo, que estatuto deve ele ter?
c) Em que condições e de que modo?
A existência de meios de comunicação e que tipo de comunicação se deve fazer está estudada por especialistas. É notório que a actual equipa reitoral possui uma estratégia de comunicação bem alicerçada num conjunto de pressupostos que visam difundir adequadamente os seus programas e modelo de governo. Uma estratégia similar, mas não concorrente e díspar, poderá ser assumida pelo CG, mas para que isso aconteça é fundamental ter recursos alocados a essa finalidade. Não me parece natural que o próprio meio de comunicação emane da própria organização, pois poderia cair em falta de isenção e poderia ser conotado como um canal de difusão e não de comunicação. Nesse caso, importaria saber se é necessário ter uma newsletter estruturada e com periodicidade estabelecida, mas esse meio de comunicação não tem objectivos idênticos ao de um jornal. Pessoalmente, parece-me que um meio de comunicação como um jornal deve emanar de uma forma natural e não de uma forma alicerçada em pressupostos de que falta comunicação e que é necessário difundir essa comunicação. Nos tempos actuais existem diversos meios de informação, uns mais de comunicação, outros de difusão de imagem, que coexistem em diferentes suportes e geridos individualmente ou por grupos de interesses. Assim, um jornal único que emane da academia de forma integrada e simultaneamente holística não me parece que seja fácil e que possa ocorrer a curto prazo.
7. Que opinião tem a lista B do Nós (jornal online da UM que acaba de completar três anos de publicação, com o n.º 29)?
8. A lista B defende que a autonomia da universidade precisa de ser "reforçada".
b) A ideia de fundação ou algo semelhante deve ser retomada?
O reforço da autonomia da universidade deve ser feito segundo um equilíbrio entre a autonomia efectiva de alguns processos de gestão e a mudança de poder desses mesmos processos de gestão. Qualquer processo que promova a autonomia de processos de gestão deve identificar de que forma esses processos devem ser governados e quais os recursos que devem ser alocados de forma descentralizada para serem concretizados de forma efectiva. Ainda, deve ser precavida a forma como posteriormente os membros da academia se podem movimentar e desenvolver as suas actividades numa matriz de processos de gestão subordinados a diferentes unidades e serviços, pois essa descentralização e autonomia podem vir a criar mais entropia ao sistema como um todo. Assim, a Lista B é favorável a um reforço da autonomia e descentralização, desde que resulte num modelo mais efectivo e eficaz, naturalmente responsável, e apreendido de forma positiva por toda a comunidade académica e que não sirva apenas para resolver os problemas de alguns!
a) Considera a lista B necessário aumentar a autonomia das escolas?
b) Em caso afirmativo, como pode/deve ser feito esse aumento em concreto?
c) E como compatibilizar a autonomia com a responsabilidade?
d) Considera a lista B necessária uma reestruturação das escolas?
Os princípios enunciados na resposta anterior são os mesmos que se podem apresentar neste enquadramento de UOEI. Ou seja, uma mudança de modelo apenas deve ser adoptado se comprovadamente se demonstrar mais efectivo a curto, médio e longo prazo e não apenas para resolver problemas específicos ou para permitir adaptar o actual modelo a uma nova realidade sem fins bem identificados. No que se refere à matriz de UOEI, e uma vez que a Lista B não possui toda a informação quanto aos aspectos positivos e negativos do funcionamento actual, seria contraproducente apresentar qualquer cenário futuro de reorganização.
a) Considera a lista B importante fazer mudanças na rede?
c) Pode dar exemplos concretos?
Neste momento este não é um tema que integre a agenda da Lista B. Contudo, a Lista B preocupa-se com o futuro da UM e pugnará porque o mesmo seja feito segundo um modelo de desenvolvimento adequado e estabelecendo as parcerias que possam ser desejáveis e cruciais. Qualquer proposta que emane da tutela será analisada pelos membros eleitos da lista, que tomarão a posição que considerem mais ajustada face ao futuro da UM como um todo e ao desenvolvimento segundo um modelo responsável e de equidade para com as actuais estruturas das UOEI.
a) Qual a opinião geral da lista B sobre o funcionamento delas?
b) Que pretende a lista fazer, se for o caso, para melhorar a sua organização e funcionamento?
12. É muito importante dar atenção ao problema das contas da UM (receitas e despesas)
b) A transparência e publicidade das contas actualmente existentes satisfazem?
c) Sabe a lista quanto custa em concreto cada escola, cada serviço da UM?
d) E sabe quais as respectivas receitas?
e) Considera a lista importante conhecer esses dados para analisar, nomeadamente, ano a ano, a evolução de receitas e despesas e as razões da mesma?
O actual modelo de apresentação de contas é mais transparente e deverá no futuro ainda evoluir para mais transparência e participação. No entanto, é notória a falta de mecanismos para uma análise refinada e de validação.
a) Considera a lista B essa introdução muito importante?
b) Quando considera que essa contabilidade pode ser utilizada?
c) O que vai fazer para esse efeito?
14. Os serviços da UM, sendo instrumentais, são da maior relevância para o bom funcionamento da universidade.
a) Considera a lista B que há uma boa gestão dos serviços da UM?
c) Há algum que funciona mal? Qual (ou quais)?
d) No caso de a lista considerar que há serviços a melhorar, o que pensa fazer em concreto?
Não é fácil fazer um balanço efectivo, pois a percepção apenas resulta da utilização dos serviços e da vivência do dia-a-dia. Contudo, é notório que alguns serviços ficam aquém do que seria desejável, por falta de capacidade de resposta ou por inadequada forma de resolver alguns problemas. De algum modo, na resposta à pergunta 11 sobre o funcionamento das bibliotecas, se identifica como os membros do CG podem vir a lidar com esta questão, muito sensível para a comunidade e para um funcionamento adequado da instituição como um todo.
15. A UM tem um administrador com importantes funções (gestão corrente da instituição). Qual o perfil que deve ter o administrador, segundo a lista B?
16. A universidade, com largas centenas de professores e de funcionários, é um lugar corrente de conflitos (concursos, relações com presidentes, directores ou com chefias) que devem ser resolvidos, sempre que possível, rapidamente e fora dos tribunais.
b) Em caso negativo, que outras soluções propõe?
O funcionamento da UM nas várias dimensões é similar a uma pequena sociedade com um conjunto de regras e modelo de governo. Assim, nos aspectos questionados, a UM funciona de forma muito similar à sociedade onde se insere. Uma justiça adequada e célere é fundamental para o salutar funcionamento de qualquer sociedade, pois só assim se garante que existe justiça. Olhando para a sociedade, poder-se-á dizer que existem diversos modelos que podem ser adaptados à UM para melhorar o funcionamento e precaver situações de injustiça notória e com implicações graves ao nível do ser humano. Apresentar uma solução obriga a um conhecimento aprofundado dos problemas e da forma de adoptar os modelos, pelo que não é fácil em breves palavras apresentar e discutir soluções.
17. A motivação/desmotivação dos docentes, investigadores e funcionários está seguramente na primeira linha das preocupações da lista B.
a) Qual a avaliação que faz a lista B sobre esta situação na UM?
c) Caso considere que algo se pode fazer, o que pensa propor os seus membros?
A vida da academia tem sido fustigada por muitos e penalizantes problemas que afectam de forma directa o dia-a-dia de todos os membros da comunidade académica. Esses problemas emanam da forma como em alguns casos a UM e os seus órgão de governo lidam com as soluções a adoptar, mas mais frequentemente resultam de condicionamentos externos que penalizam o funcionamento da instituição. Como em todos os assuntos, o CG deve promover uma visão e uma estratégia que permita à UM uma rápida adaptação à mudança e que antecipe soluções que previnam a penetração dos problemas às células mais frágeis da academia. Só assim será possível amortecer os factores penalizantes e criar mecanismos de proteção que favoreçam uma academia mais pujante e com vida própria. Para todos os temas que condicionam a vida académica, o CG deve ser um órgão de governo atento e solidário com a academia.
a) Considera a lista B que eles estão devidamente organizados?
b) Considera a lista que os membros da academia devem ser ouvidos na solução dos problemas dos campi? De que modo?
c) E tem a lista B algo a dizer sobre o problema da Quinta dos Peões (Gualtar)?
Registarei com muito agrado a atenção que este pedido possa merecer da lista B que o colega encabeça. Compreendo que nem todas sejam respondidas, por falta de tempo ou informação, mas disso será dado conhecimento pela própria lista. Como é óbvio, as questões, apesar de serem muitas, estão longe de ser todas as que mereciam ser abordadas, podendo a lista acrescentar outras questões concretas que considere relevantes. Peço que sempre que na resposta remetam para os textos divulgados pela lista transcrevam a parte pertinente. Com votos de boa campanha para bem da Universidade do Minho e por um CG forte, plural e atento, contribuindo para o bom governo da universidade.
António Cândido de Oliveira
Eleitor e Membro do CG cessante
UM, 3 de Março de 2013