A moderação foi qualificada, como se esperava, mas as intervenções não contribuíram muito para um diálogo vivo. Destas sobressaiu claramente a do reitor da Universidade do Porto, Prof. Marques dos Santos, que, com muita convicção, defendeu a passagem a fundação da Universidade do Porto. Tendo a ajuda de um PowerPoint com o significativo título "Uma Decisão Acertada", apontou as razões da opção feita pela UP e deteve-se no procedimento seguido para o efeito.
Já as intervenções do reitor António Rendas, da Universidade Nova de Lisboa, e do reitor Fernando Seabra, da Universidade de Coimbra, também com muito interesse, "pecaram" pela cautela excessiva. Não se mostrando adeptos convictos da passagem a fundação, também não se lhe opuseram. Pairou um pouco a ideia de que não estavam ali para "prejudicar" a eventual passagem da UM a fundação. Esta pode ser uma primeira impressão minha e tentarei ouvir de novo para tirar uma conclusão mais fundamentada.
Na parte do debate houve um momento que não pode deixar de ser assinalado. Quando perguntado pelo conteúdo do contrato–programa (linhas gerais) celebrado com o ministério, o reitor da Universidade do Porto considerou esse um assunto reservado de que não cabia ali falar. Devo confessar o meu espanto, pois um contrato–programa assinado entre duas entidades públicas não é nem pode ser um assunto reservado. Continuo a pensar que houve ali um mal-entendido. De outro modo bem se pode dizer que a passagem de uma universidade pública a fundação é um passo mais no sentido da indesejável opacidade da administração pública.