domingo, 27 de fevereiro de 2011

Convicção de um e falta dela de dois

O debate do passado dia 24 de Novembro merece um conjunto de comentários que não podem ter aqui a devida expressão, principalmente por falta de tempo. No entanto, entre a facilidade de nada escrever e o risco de dizer alguma coisa com pouco interesse, opto por esta alternativa.

A moderação foi qualificada, como se esperava, mas as intervenções não contribuíram muito para um diálogo vivo. Destas sobressaiu claramente a do reitor da Universidade do Porto, Prof. Marques dos Santos, que, com muita convicção, defendeu a passagem a fundação da Universidade do Porto. Tendo a ajuda de um PowerPoint com o significativo título "Uma Decisão Acertada", apontou as razões da opção feita pela UP e deteve-se no procedimento seguido para o efeito.

Aqui é de apontar o cuidado de obter uma decisão largamente consensual dentro da Universidade e do Conselho Geral (17 votos a favor e 2 contra). Com 20% contra não me importo, até é bom, disse a certa altura. O PowerPoint que espero colocar no site no início desta semana dispensa-me da tarefa de indicar as razões pró-fundação avançadas pelo reitor.

Já as intervenções do reitor António Rendas, da Universidade Nova de Lisboa, e do reitor Fernando Seabra, da Universidade de Coimbra, também com muito interesse, "pecaram" pela cautela excessiva. Não se mostrando adeptos convictos da passagem a fundação, também não se lhe opuseram. Pairou um pouco a ideia de que não estavam ali para "prejudicar" a eventual passagem da UM a fundação. Esta pode ser uma primeira impressão minha e tentarei ouvir de novo para tirar uma conclusão mais fundamentada.

Aliás, ambos mostraram abertura para discutir este tema nas respectivas universidades, coincidindo, no entanto, no pensamento de que este não é o momento mais oportuno para tomar decisões, dada a situação de crise que vivemos.

Na parte do debate houve um momento que não pode deixar de ser assinalado. Quando perguntado pelo conteúdo do contratoprograma (linhas gerais) celebrado com o ministério, o reitor da Universidade do Porto considerou esse um assunto reservado de que não cabia ali falar. Devo confessar o meu espanto, pois um contratoprograma assinado entre duas entidades públicas não é nem pode ser um assunto reservado. Continuo a pensar que houve ali um mal-entendido. De outro modo bem se pode dizer que a passagem de uma universidade pública a fundação é um passo mais no sentido da indesejável opacidade da administração pública.